quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ratos da Metrópole

Daqui de baixo vejo tudo. São seres que andam sobre duas pernas. Alguns altos outros baixos, alguns gordos outros magros. Mas sempre desconfiados e presos ao ritmo da cidade.
Quando o sol se esconde as verdadeiras faces aparecem. Canetas são trocadas por cigarros, o prazer de uma xícara de café agora só se satisfaz através da carne e o silêncio impetuoso das salas de reunião torna-se uma música penetrante e envolvente.
Na cidade não existe distinçÃo entre o inseguro e o discreto. Todos estão imersos num ciclo vicioso onde a rotina mistura-se com a fumaça.
É um constante conflito interno entre interesses e desejos onde só existe uma escolha: ser bom ou ser mais um. Mesmo que isso envolva sua própria dignidade.

Baseado em: "Ensaio sobre a Cegueira"

Quais os valores do homem?
O que ele realmente é?
Isso ele só enxerga se não vê
Quando olha para dentro, ele entende.

A cegueira branca é a luz do seu verdadeiro eu
É onde encontra todas as suas respostas
É onde se divide entre o bem e o mal em uma balança de valores
E este é o homem na sua essência.

Instante

Era uma tarde quente de verão; Madalena fora fazer sua corrida ao entardecer. Depois de mais ou menos uma hora e meia de exercício, ela sentou-se à beira do lago para descansar e deparou-se com a sombra de um belo homem. Ao olhar pra trás, ele bebia água a uns poucos metros dali e eles se olharam; foi pouco tempo mas com a intensidade de uma vida. A família do homem chegou e ele se vai. Por dentro, os dois sabiam que não sem dor. Eles nunca mais se viram mas aquela não foi uma tarde normal, algo mudou e , mesmo distantes, pra sempre eles se carregarão, do lado de dentro.

Implacável

Eu me sentia bem. Estava eufórico. O dono do mundo. Podia fazer o que quisesse, nada me impediria.
Era meia-noite. Hora de ir para a balada. Peguei o carro sem cogitar nenhuma outra possibilidade.
Minha namorada no bando do passageiro e mais dois amigos muito queridos no banco de trás.
Eu me sentia o melhor motorista do mundo, não me preocupava com o que acontecia à minha volta. Só queria chegar logo na noitada.
Com o som alto, muitas risadas e os melhores amigos que alguém pode ter. De repente um clarão enorme em minha direção me fez ficar atento, mesmo que atordoado; Não consegui desviar. Nada fazia sentido.
Quando acordei só via fumaça e meus amigos desacordados dentro do carro. Minha namorada estava presa entre as ferragens do automóvel. Nunca vou me esquecer desta cena.
Eles se foram ... hoje brilham no céu.
Se eu soubesse o que aconteceria, eu não teria dado o primeiro gole.